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Boa alimentação e exercício para envelhecer bem


Data:  27-04-2010     Fonte:  As Beiras



  Manuel Teixeira Veríssimo - Coordenador do Grupo de Estudos Geriátricos da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, reconhece o aumento da esperança média de vida da população e destaca que o exercício físico é muito benéfico nos idosos. Objectivo é atingir "bem-estar físico, mental e social".

Enquanto especialista em geriatria quais são os estilos de vida que devem ser adoptados pela população sénior para ser saudável?

Para ser saudável a população sénior deverá essencialmente fazer uma alimentação adequada e ser activa, não só física, mas também psiquicamente. Está hoje bem demonstrado que o que não se usa atrofia, sendo isto particularmente verdade para a parte da capacidade física, a qual sendo fundamental para manter o idoso activo e independente é peça chave para o bem-estar na idade mais avançada. Nunca será demais lembrar que se é verdade que a maior longevidade da população é sinal de desenvolvimento da sociedade. Essa sociedade só será verdadeiramente desenvolvida se os seus idosos tiverem boa qualidade de vida. Mas tal como para manter a capacidade física é necessário fazer exercício físico, também para não perder as faculdades mentais é necessário o treino psíquico. Por isso torna-se necessário que o idoso treine o seu cérebro diariamente pois também essa prática corresponde a um estilo de vida saudável.

Quais os principais cuidados a ter e a partir de que idade?

A alimentação e o exercício físico são as pedras angulares do envelhecimento saudável, não esquecendo contudo que também o tabaco, o álcool e as drogas são importantes factores de promoção do mau envelhecimento. O exercício físico tem efeitos benéficos nos idosos a diversos níveis. Pode-se mesmo dizer que nenhuma outra medida contribui tão globalmente para atingir o conceito de saúde da OMS "bem-estar físico, mental e social" como esta. De facto, o exercício físico traz benefícios quer a nível físico, estando hoje bem demonstrado que a perda de função dos vários aparelhos e sistemas do organismo é mais lenta nas pessoas que praticam regularmente exercício físico, quer a nível psíquico, mostrando vários estudos que o exercício físico é benéfico na prevenção e tratamento da ansiedade e depressão, bem como na melhoria da auto-estima.

Por outro lado, uma correcta alimentação é do mesmo modo fundamental, não só para promover um bom envelhecimento, mas também para prevenir as doenças e manter a capacidade funcional dos idosos. Fruto de diversos factores predisponentes, como a polipatologia/polimedicação, a depressão, o isolamento, as limitações económicas, etc., os idosos estão particularmente propensos a desenvolver défices nutricionais, nomeadamente em vitaminas e minerais, que em muito podem contribuir para o aparecimento de doenças e aumento da mortalidade. Por isso, é importante que os idosos façam uma alimentação não só suficiente em termos de quantidade, mas também em termos de qualidade.

Para se envelhecer saudavelmente os cuidados com a alimentação e com o exercício físico devem ser iniciados quanto mais cedo melhor, idealmente na infância, contudo deve-se enfatizar que nunca é tarde para começar e mesmo nos mais idosos a correcta alimentação e a prática de exercício físico produzem os seus benefícios em qualquer idade.

Quais são as principais diferenças entre os cuidados geriátricos hoje e os que se praticavam no início da década de 80? Porquê?

Os cuidados geriátricos são hoje substancialmente diferentes dos que se praticavam há 30 anos, no entanto ainda estamos longe do desejável. Se é verdade que nestas três décadas houve uma grande evolução social e médica que permitiu atingirmos uma esperança média de vida à nascença semelhante à dos países mais desenvolvidos, traduzida por um cada vez maior número de idosos e muito idosos, também é verdade que a batalha ainda não está completamente ganha, o que só acontecerá quando estes idosos para além da longevidade também tiverem qualidade de vida, o que muitas vezes ainda não acontece. Para isso será necessário que a sociedade invista no bem--estar da sua população sénior, mas que também os próprios idosos, e os que ainda não o são, saibam preparar a fase mais tardia da sua vida. Deve-se realçar, todavia, que embora ainda com algumas lacunas, temos hoje já boas estruturas de apoio aos idosos, sendo aqui de enaltecer não apenas os esforços dos organismos oficiais, mas também o meritório papel das instituições de solidariedade social.

Hoje há um claro aumento da esperança média de vida da população. Será que este padrão de longevidade é para manter?

Portugal é o país europeu onde a esperança média de vida à nascença mais aumentou nas últimas décadas, sendo previsível que este aumento se mantenha nos próximos anos. Contudo, cada vez mais se chama a atenção que este crescimento pode parar e até haver uma inversão se nada for feito para travar a epidemia de obesidade que assola as sociedades desenvolvidas e que no futuro, levando ao aumento significativo de doenças em idades mais jovens, conduzirá a uma mortalidade mais precoce e consequentemente a uma diminuição da esperança média de vida.


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