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Vitrais, uma vida a pintar luz


Data:  06-11-2010     Fonte:  Sol



  "O vitral é o único processo na pintura que se deixa atravessar pela luz . É a maneira mais difícil de pintar porque pinta-se a luz". A definição é de João Aquino da Costa Antunes, o último pintor português que dedicou a sua vida aos vitrais.

Do avô Plácido pouco se lembra, mas não se esquece de como tudo começou: "Tinha quatro anos e o meu pai colocava uma manta no chão do ateliê e um caixote cheio de pedaços de vidro coloridos para eu brincar". Passaram quase 70 anos e há 50 que João Aquino, depois do avô e do pai, João Baptista, dirige o ofício.

A primeira sala da oficina, na Rua de Vilar, Porto, está cravejada de preciosas maquetes, testemunhos figurativos e abstractos de um século de laboração, entre desenhos de pintores como Júlio Resende e Guilherme Camarinha.

Um pouco por todo o mundo, em igrejas, mosteiros, autarquias, casas de cultura, museus, hospitais, tribunais, fábricas e residências particulares reluzem histórias vitrificadas - visões pessoais do quotidiano e interpretações celestiais - criadas pela família Antunes. Um universo tão brilhante quanto o currículo do aluno e professor da Escola Superior de Belas Artes do Porto, que lhe focou a visão em jogos de luz e cor.

A mestria, João Aquino revela-a num abrir e fechar de uma janela de vitrais: "As dimensões parecem mudar e a luz é completamente diferente", demonstra.

O vitral começa a nascer na cave da casa. Um velho depósito de vidros de todas as cores e texturas, ora em chapas ordenadas nos lotes de madeira, ora em milhares de pedaços agrupados em mais de 200 gavetas. A antiguidade quer-se preservada. "A modernidade é muito asséptica", diz o mestre.

"Cada gaveta guarda uma cor que corresponde a um mostruário. Temos uma paleta de 400 cores", revela José Oliveira debruçado sobre um puzzle de vidro inacabado. Os ruídos vítreos misturam-se com o som tímido do rádio e, ali mesmo ao lado, Jorge Magalhães retoca a pintura de um vitral com uma pincelada precisa, enquanto mistura a tinta.

E não tem dúvidas quanto ao mais complexo dos trabalhos que passaram pela oficina: "Restaurar os vitrais de Almada Negreiros da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa, foi o maior desafio", conta.

Há cinco décadas que João, Jorge e José trabalham juntos e nas suas mãos a minúcia parece simples. Completam-se os passos para armar o vitral. "A partir de outra maquete ampliada para o tamanho natural fazemos o decalque do desenho em papel e marcamos as cores dos vidros. Depois procede-se ao corte, vidro por vidro. O chumbo é o material aglutinador", explica o responsável. O processo é lento. "Há trabalhos que demoram dois anos a fazer", diz Aquino.

A Oficina Antunes guarda ainda algumas peças em miniatura, como uma clarabóia pendurada no tecto, cem vezes menor do que a original, instalada no Centro Cirúrgico de Coimbra. "Replicamos as peças mais didácticas para juntar ao nosso espólio, que em breve vai passar a ter residência aqui mesmo em frente na futura Casa do Vitral", adianta o professor. É no seu ateliê, dois andares acima, que o pintor esboça as suas obras numa parede forrada a madeira que serve de prancheta.

Em destaque, pousada num cavalete, está a Ressurreição de Cristo - a sua "Capela Sistina" como lhe chama Aquino: "Fiz isto para a Igreja Matriz de Vila Nova de Famalicão. É talvez o maior vitral do país e não mudava nada".

Vidraria Antunes; Rua de Vilar, 19 - Porto - Tel. 226 065 605



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