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De Férias Com Os Avós


Teresa Paula Marques - Psicóloga Clínica, www.teresapaulamarques.com
Data:  Julho, 2009



  Chegaram as férias escolares. Pela frente há pelo menos dois meses durante os quais é necessário ocupar os mais novos, já que existe um claro desfasamento entre a duração das férias dos adultos e das crianças. Se outrora esta questão não era complicada de gerir, actualmente o panorama mudou de figura. Raras são as mães que ficam em casa a tratar do lar. Raros são também os que têm possibilidades económicas, para manter uma empregada a tempo inteiro que se ocupe dos mais novos. Que alternativas restam? Colocá-los num campo de férias, ou numa actividade extra, custa dinheiro que muitas vezes faz falta para adquirir os bens essenciais. É então que os avós são chamados a dar uma ajudinha. Todos agradecem.

  Avós do século XXI

  Dados os avanços da medicina, muitos avós têm hoje uma qualidade de vida bastante razoável. São pessoas perfeitamente válidas e ágeis, quer em termos físicos, quer intelectuais. Frequentam ginásios, interessam-se pelas novas tecnologias e, sobretudo, estão muito abertos a tudo o que é novidade. Para além disso, têm o factor tempo como aliado. Não existem pressas. É exactamente devido ao ritmo destes ser mais pausado que existe uma maior facilidade de entendimento com os mais novos. Os avós têm tempo para escutar, para criar cumplicidade. Esta relação privilegiada pode ser muito benéfica para os mais novos e deve ser incentivada. Os avós possuem um capital de vida, e uma experiência, que não pode ser negligenciada. Através deles, podemos situar-nos em termos de história o que constitui uma base importante para a auto-imagem da criança. As bases da cultura do povo, os valores... são muito facilmente transmitidos pelos avós do que pelos pais, uma vez que a disciplina é já uma carga suficientemente pesada.

  Os avós deseducam os netos?

  Muitas vezes se ouvem queixas que os avós deseducam os netos. É natural que acedam a caprichos que os pais não toleram e, também, que reforcem os mimos. Claro que, em situações em que os pais dependem excessivamente da ajuda dos avós, a criança pode chegar a confundir os papéis. Assim, é importante clarificar esse ponto - são os pais os responsáveis pela educação, enquanto que os avós devem desempenhar o seu papel de avós. Confundir os dois planos leva a que surjam problemas educacionais. Isto acontece quando, devido a existir da parte dos avós uma maior disponibilidade de tempo, os pais acabam por delegar neles uma parte da educação dos filhos. Assim, quando lhes é confiado o neto por grandes períodos de tempo, é compreensível que a criança fique confusa e acabe por se questionar acerca de quem é que exerce a autoridade. Todos sabemos que há situações em que o tempo de convivência com os avós é esmagador. Os pais vão de madrugada deixar os filhos na casa dos avós e só os vão buscar ao fim do dia. Por meio, os avós vão pô-los e buscá-los ao infantário, dão-lhes as refeições e até o banho. Quando voltam a ver os pais já estão ensonados e prontos para irem para a cama. No dia seguinte todo este ritual se repete. Durante o fim-de-semana, quando a convivência é mais estreita, face a qualquer travessura ou insubordinação dos petizes, é muito fácil apontar o dedo aos avós.

  Férias com netos adolescentes

  Tratando-se de adolescentes, é típico que existam conflitos intergeracionais sobretudo devido a questões de autonomia. Os jovens desejam ficar até mais tarde na discoteca, ou simplesmente numa esplanada com os amigos e os pais colocam um travão nesse desejo. A oportunidade de ajudar a resolver o conflito pode estar acessível aos avós. Cabe-lhes a tarefa de ouvir ambas as partes e servir de intermediários, não cedendo à tentação de se colocar a favor de um dos lados, o que só aumentaria o problema. É sempre possível fazer uso das experiências do passado e explicar o porquê dos receios dos pais. Ainda assim, durante as férias, convém não ser inteiramente permissivo no que respeita aos horários ou seja, há que manter a coerência com as regras que são dadas em casa paterna, ainda que o jovem fique um pouco aborrecido. Claro está que um horário imposto a um adolescente é, à partida, uma regra para desrespeitar mas, apesar dessa realidade, há que tentar impor limites para bem de todos.

  Algumas regras para os avós

  Antes de passar um tempo de férias com netos, converse com os seus filhos de modo a perceber até onde pode ir a sua permissividade. Existem regras que é preciso manter, mesmo que seja em férias...

  Oiça atentamente as "queixas" dos seus netos, mas evite dar conselhos ou ser manifestar-se contra as regras que os pais lhes impuseram.

  Crie algumas rotinas (lavar os dentes após as refeições, horas de ir para a cama, tempo de assistir à televisão...).

  Aposte na brincadeira e não poupe nos carinhos. As regras não são incompatíveis com o amor!

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