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Envelhecimento e Alzheimer


Data:  13-09-2008     Fonte:  O Ribatejo



  Considerada como uma das doenças neurodegenerativas mais frequentes, a doença de Alzheimer progride por causas desconhecidas, e constitui a principal causa de demência de indivíduos com mais de 60 anos. Compreende-se o interesse dos investigadores em procurarem conhecer as zonas de fronteira entre o envelhecimento normal e o aparecimento desta doença.

   O que é do senso comum, e que nos atinge a todos nós, até por razões familiares, é saber-se que os doentes de Alzheimer se tornam cada vez menos capazes de realizar qualquer tarefa, mergulhando na confusão ao ponto de deixar de reconhecer os próprios entes queridos, num lento percurso que pode durar de 8 a 10 anos.

   Resta aqui sublinhar que a doença de Alzheimer não faz parte do processo natural de envelhecimento e nem pode ser considerada uma doença mental. Um dos maiores desafios que a doença levanta a nível social é a preparação das atitudes dos familiares, preparando-os para serem cuidadores informados e capazes de resistir ao desgaste psicológico e moral que a doença provoca. Este cuidador vai assistir ao declínio das faculdades mentais do seu familiar, vai presenciar alterações brutais na memorização, no raciocínio e na coordenação dos movimentos.

   Julga-se que essa deterioração é devida a um problema cerebral que poderá estar associado à degenerescência das células do cérebro. É por isso que todos os livros de divulgação sugerem que se deve procurar um médico para obter um diagnóstico precoce. Os medicamentos actualmente disponíveis não tratam a causa mas os sintomas da demência, ou seja podem apenas contribuir para retardar a sua evolução.

   Percebe-se igualmente porque é que os cientistas procuram conhecer com mais fiabilidade os estádios precoces da doença de Alzheimer. É que não existe um teste de diagnóstico específico para a doença, o diagnóstico é feito por exclusão de outras doenças, com uma muito elevada percentagem de certeza. Os médicos testam as capacidades cognitivas dos doentes, tais como a memória, a atenção, a linguagem, a capacidade do doente em resolver problemas e usam imagiologia cerebral para aumentar a probabilidade de se obter um diagnóstico correcto, isto a par de exames de sangue, temografias ou ressonâncias. Obtido o diagnóstico há que procurar formas de apoiar o doente.

   "Défice Cognitivo Ligeiro, o envelhecimento e a doença de Alzheimer", corresponde à preocupação dos investigadores clínicos procurarem conhecer melhor essa região de fronteira entre as alterações cognitivas próprias do envelhecimento normal e o estado precoce da doença de Alzheimer. Défice cognitivo ligeiro é uma expressão usada para descrever esta zona transitória entre o envelhecimento e a doença de Alzheimer em fase muito inicial (por Ronald C. Petersen, Climepsi Editores, 2004).

   Hoje já se comparticipam medicamentos para o tratamento da doença de Alzheimer, como é o caso das substâncias inibidoras da colinesterase, o tratamento com estrogénios, substâncias anti-inflamatórias (medicamentos anti-inflamatórios não esteróides) e estratégias de redução dos lípidos ou uso de anti-hipertensivos. Como concluem os investigadores neste livro, admite-se que o défice cognitivo ligeiro pode ser a estratégia que ajude o campo da terapêutica da doença de Alzheimer.


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