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Atitude Gerontologica face à sociedade


Dra. Filipa Marques, Licenciada em Gerontologia
Data:  Junho, 2010



  O envelhecimento geral da população é um processo que decorre há algumas décadas prevendo-se que se venha a tornar ainda mais significativo e preocupante a partir de 2020. Este facto coloca pressões adicionais à sociedade, ou seja, novos desafios aos quais os profissionais devem actuar.

  Há, por isso, uma maior preocupação perante a pessoa idosa e uma necessidade de mudança em vários aspectos. As mudanças a nível social é um dos papeis ao qual o Gerontologo deve interferir, desconstruindo vários pensamentos negativos e proporcionando uma melhor integração do idoso na sociedade.

  Antigamente não consideravam o idoso como uma categoria sociologicamente importante, mas meramente assistida, quase exclusivamente dependente da família. Com o decorrer do tempo este pensamento foi mudando, mas há hoje em dia vários esteriótipos e mitos relativamente a idade avançada que um Gerontologo preocupa-se em desconstruir.

  Com isto, existe um dilema que passa pela mudança radical do significado do processo do envelhecimento.

  O idoso, já à muito tempo, que deixara de ser a elite dos anciãos, os sábios, conselheiros dos jovens e outros adjectivos imputados aos mesmos. A denominação da terceira idade como a melhor fase da vida vai perdendo a legitimidade e vão se criando assim vários pensamentos negativos que a pessoa idosa tem de enfrentar.

  A sociedade, tida como sociedade de consumo, rege-se por valores materiais, sendo o principal objectivo a rentabilização da população em que se privilegiam apenas os indivíduos activos. Como consequência o idoso é rapidamente excluído do trabalho. Dou o exemplo da reforma, que é um sinal de atitude egoísta face a idade avançada.

  Esta população é "rotulada", vista como pessoas doentes, incapazes de exercerem as suas funções, incompetentes, senis, assexuados, dependentes dos outros, pobres, carentes entre outros. Estamos perante um preconceito baseado na idade, ao qual designamos de idadismo. Esta descriminação leva a uma atitude negativa que afecta o comportamento dos mais velhos e por isso começam a existir comportamentos depressivos, em que estes sentem-se individuos ignorados, sem interesse para a sociedade e chegam mesmo a sentir-se como "alguem que apenas dá trabalho". Tal situação leva à infantilização do idoso, descartando totalmente a possibilidade de este ser um sujeito e cidadão de direitos.

  Este efeito negativo leva-nos a pensar que o envelhecimento é visto como uma patologia, mas não, é sim uma fase da vida como todas as outras, com perdas e ganhos, e não quer dizer que com isso sejamos mais ou menos activos, mais ou menos dependentes. Com o avançar da idade apenas ocorrem algumas mudanças fisico-psiquicas, alguns deficits, mas não é por isso que o idoso deixe de ser um Ser Humano, não é por isso que o idoso deixe de ser activo, deixe de ter sentimentos e valores, deixe de aprender e pensar como qualquer um de nós. A pessoa idosa deve ser respeitada porque esta, tal e qual como qualquer pessoa, é um cidadão, cidadão este que tem direitos e deveres perante a sociedade.

  Há assim uma necessidade de alerta, de aprendizagem coletiva, de mudança das mentalidades das pessoas e profissionais que não respeitam a autonomia do idoso e conferem á família todas as decisões. Tem de haver uma educação da comunidade sobre o que é realmente o envelhecimento, não confundindo e atribuindo a este denominações erradas e estereotipadas.

  Por exemplo, ao insinuar que " tal idoso não é capaz de exercer tal função", estamos perante uma descriminação, uma agressão mental, que sem nos darmos conta prejudicamos a vida de uma pessoa, por isso, é de extrema importância ter cuidado e atenção com o que se diz em frente a pessoa idosa e o que se chama a ela mesma. Devemos chamar a pessoa pelo nome próprio (ex: Dona Alice), não colocando expressões como _inha (o), pois estamos a infantilizar o idoso e a desrespeita-lo.

  Cabe assim ao Gerontólogo desconstruir estes pensamentos e atitudes negativas, que não passa apenas pela sociedade jovem, mas também pela própria pessoa idosa, demostrando a esta que envelhecer não é uma má fase. Velhice? Isso não existe! Ha apenas pessoas menos jovens do que outras, e nada mais.

  Sendo assim devemos incentivar o idoso a participar na sociedade, como ser activo que é e promover o diálogo inter-geracional para superar todo este desafio. Dou como exemplo, o voluntariado sénior e as Universidades séniores que são boas opções, em que o idoso sente-se útil, promovendo o envelhecimento activo e a relação entre grupos. Há vários eventos que levam a uma melhor integração do idoso na sociedade e com estes podemos demonstrar a todos que o idoso é capaz de fazer muitas actividades, é capaz de aprender e ensinar, é capaz de ser autónomo e activo como todos nós. O bem estar físico do idoso passa pelo bem estar psicológico do mesmo, sendo assim, se desconstruirmos todos estes preconceitos e mitos relativamente à idade e preocuparmo-nos mais com a motivação e incentivação do mesmo observaremos melhorias físicas, psíquicas e sociais destes.

  Há que combater todos estes desafios e alterar a nossa sociedade alcançando com isto uma melhor qualidade de vida a todos os níveis e para todas as idades, porque todos nós vamos um dia ser eles.

Dra. Filipa Marques, Licenciada em Gerontologia pelo Instituto Politécnico de Bragança - Escola Superior de Saúde
email: filipamarques_3@msn.com

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